Menopausa e saúde mental: Menopausa e identidade numa perspectiva gestáltica
- Sharon Cardoso da Silva
- 6 de ago.
- 2 min de leitura
A menopausa é frequentemente descrita como o fim de um ciclo. Mas e se pudéssemos olhar para ela também como um momento de profunda transformação — não apenas do corpo, mas da identidade? Para a Gestalt-terapia, cada fase da vida carrega consigo possibilidades de contato mais genuíno consigo mesmo. E a menopausa, com toda a sua intensidade, não é exceção. A menopausa e a saúde mental estão profundamente conectadas — e isso raramente é discutido com a profundidade que merece.
O que muda além do corpo?
As alterações hormonais da menopausa afetam diretamente o sistema nervoso central, o que explica por que tantas mulheres relatam mudanças de humor, dificuldades de memória, ansiedade e uma sensação difusa de "não me reconheço mais". Esses sintomas são reais e têm base fisiológica — mas também carregam um componente emocional e existencial que merece atenção clínica.
A identidade em movimento
Na perspectiva gestáltica, a identidade não é algo fixo. Ela se constrói no contato com o mundo, com os outros e consigo mesma. Quando o corpo muda de forma tão significativa, é natural que a percepção de si mesma também se mova. Muitas mulheres descrevem essa fase como um "descasamento" de quem eram antes e isso pode gerar sofrimento real. Mas a Gestalt nos convida a olhar para esse movimento não como perda, mas como possibilidade de um contato mais autêntico com quem você é agora.
O papel da psicoterapia
A psicoterapia nessa fase não tem como objetivo "resolver" a menopausa isso não seria possível nem desejável. O objetivo é criar um espaço seguro para que a mulher possa:
Nomear e acolher o que está sentindo
Ressignificar as mudanças sem se perder nelas
Fortalecer sua relação com seu corpo em transformação
Reconectar-se com seus valores, desejos e identidade

A menopausa pode ser vivida com sofrimento e solidão ou com acolhimento e autoconhecimento. A diferença, muitas vezes, está no suporte que cada mulher tem acesso. Se você está nessa fase e sente que precisa de um espaço para se encontrar, estou aqui.
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